quinta-feira, 3 de março de 2011

ABC vence Barras/PI no sufoco

Parecia que seria fácil, já que o ABC marcou seu primeiro gol aos 40 segundos do primeiro tempo, mas o Barras/PI vendeu caro a vaga na próxima fase da Copa do Brasil para o alvinegro potiguar. O resultado final de 2x1 para o time abcedista foi o suficiente para que a equipe avançasse dentro da competição e com isso vai enfrentar o Vasco da Gama, em data a ser definida pela CBF hoje. O certo é que o primeiro confronto será no Frasqueirão. Os gols foram marcados por Irineu e Leandrão, no primeiro tempo, enquanto Neném descontou para os visitantes. A grande atração do confronto, o experiente atacante Túlio Maravilha, foi uma peça nula no ataque piauiense. Tanto que o Barras melhorou quando o veterano foi substituído.


emanuel amaralO atacante Leandrão também deixou sua marca na partidaO atacante Leandrão também deixou sua marca na partida
A partida começou movimentada. Antes do primeiro minuto o ABC conseguiu marcar seu primeiro gol. O zagueiro Irineu dominou a bola na intermediária abecedista, foi avançando, os adversários não combateram e o defensor artilheiro chutou de forte, de fora da área, para abrir o placar. Esse foi o quarto gol do jogador em seis partidas. O Barras/PI sentiu o golpe e ficou a mercê dos contra-ataques alvinegros, que cansou de perder chances com Éderson, Leandrão e Cascata. Em uma delas, o camisa 10 escorregou duas vezes na pequena área piauiense, conseguiu se levantar e ainda chutou na trave. 

Sem oferecer perigo ao gol de Wellington, o adversário assistia o ABC jogar. De tanto insistir, os donos da casa ampliaram o marcador. Aos 42 minutos, Pio tocou para Cascata, que driblou o goleiro mas não conseguiu finalizar. Éderson aproveitou o rebote, tirou a marcação e tocou para Leandrão, livre marcar o segundo gol.

Na volta do intervalo o time alvinegro pareceu satisfeito com o resultado e se limitava em tocar a bola, sem objetividade. Foi quando técnico do Barras/PI, Denílson Azevedo, decidiu sacar a “estrela” Túlio Maravilha e colocar Teles. E a modificação surtiu efeito. Aos 20 minutos, o lateral-direito Cláudio Ribeiro avançou e cruzou na área. O goleiro Wellington falhou na saída e Neném aproveitou para descontar. 

A partir daí, o ABC recuou e ficou esperando para contra-atacar, mas sem sucesso, até o apito final do árbitro.

“Estamos vindo de uma sequência muito forte de jogos e viagens e isso vem refletindo dentro de campo. Mas, valeu pelo empenho dos jogadores, que conseguiram superar as dificuldades e conquistaram a vitória. Agora é descansar e planejar para a partida contra o Alecrim, pelo campeonato estadual”, afirmou Leandro Campos, técnico do ABC, que completou 50 partidas oficiais no comando da equipe e foi homenageado pela diretoria do clube com uma placar de agradecimento.

Ficha técnica

abc

Wellington; Tiago Garça (Jackson), Alessandro Lopes e Irineu; Pio, Basílio, Ricardo Oliveira, Cascata (Ray) e  Renatinho Potiguar; Éderson (Bileu) e Leandrão.

Técnico: Leandro Campos.

barras/pi

Baby; Cláudio Ribeiro, Alex Costa (Reis), Juba (Dâmison)  e Rafael; Rildo, Luciano, Marquinhos Vitoria e Tinho; Túlio (Teles) e Nenê Teresina.

Técnico: Denílson Azevêdo

Estádio: Machadão, Natal/RN

Árbitro: Gleidson Leite (PE)

Público: 6.190 - Renda: R$ 49.121,00

GOLS: ABC: Irineu, aos 40 seg. e Leandrão aos 42´do 1º T.

BARRAS/PI: Neném aos 20´do 2º T

Botafogo sofre, mas se classifica

O Botafogo conseguiu se classificar para a segunda fase da Copa do Brasil ao derrotar o River Plate de Sergipe nos pênaltis por 4 a 1 depois de ter vencido por 1 a 0, mesmo resultado da derrota dos cariocas na partida disputada em Aracaju.

O jogo disputado na noite desta quarta-feira no Engenhão foi marcado pelo nervosismo da equipe carioca que encontrou muita dificuldade para conseguir o resultado. Com a vitória nos pênaltis, o Botafogo quebrou um jejum, pois havia sido derrotado nas cinco disputas anteriores. Depois da vitória, os jogadores foram festejar com o técnico Joel Santana que vem recebendo muitas críticas.

No tempo normal, o Botafogo teve sempre o controle do jogo mas revelou muita ineficiência na hora da conclusão. Com Herrera e Caio em má forma técnica, o time dirigido por Joel Santana não conseguiu se impor diante de um adversário modesto mas que mostrou muita disciplina tática. Agora o Botafogo vai enfrentar o Paraná.

Palmeiras goleia no Pacaembu

O cenário desta quarta-feira era desanimador: chuva e público reduzido. E, para piorar, o futebol do Palmeiras não foi convincente até o início do segundo tempo. Até que apareceu Adriano para alegrar o torcedor. Conhecido pelos seus passos de Michael Jackson, ele mostrou ginga para marcar quatro gols e liderar a goleada por 5 a 1 contra o frágil Comercial-PI e assegurar a classificação na primeira fase da Copa do Brasil.

O resultado elástico dá a impressão de que houve um passeio do Palmeiras em 100% do jogo. Porém, o Verdão só conseguiu construir a vitória depois da expulsão de dois atletas da agremiação piauiense, o zagueiro Rafael e o meio-campista Evandro.

O adversário alviverde na segunda etapa da Copa do Brasil já está definido. O Palmeiras enfrenta o Uberaba-MG, responsável por eliminar o Santa Helena-GO em apenas um jogo - venceu por 3 a 1 na casa do adversário.
Fonte:T. N. Online

quarta-feira, 2 de março de 2011

Rádio Vermelho vai veicular áudios dos internautas

A Rádio Vermelho irá inaugurar no dia 21 de outubro o programa Fala Povo. O programa irá receber materiais produzidos pelos internautas que podem ser denúncias, músicas ou entrevistas.

O programa irá ao ar a partir do meio dia de segunda a sexta. Você pode mandar os materiais em formato mp3 para o e-mail: radiowebvermelho@gmail.com.
Você que tem uma banda, uma denúncia ou uma reportagem este é o momento de mostrar para toda a rede.


Fonte: Portal Vermelho

O velório da gestão em Natal


FD/Nominuto
A cena é triste. Snif! Snif! Muito triste. Snif!

O clima é de velório. Para muita gente em Natal, a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV) simplesmente morreu. 

Para alguns, é hora de velar o "corpo". Chorar, talvez, o voto perdido. Encomendar o defunto e entregar a Deus.

O que me chama atenção no enterro político da gestão em Natal é a falta de líderes partidários para pegar na aba do caixão da prefeita-borboleta.

José Agripino Maia, cacique-aliado de primeira hora, não toma conhecimento do féretro. O Democratas desembarcou da gestão de Micarla há muito tempo. Deve lançar Felipe Maia para prefeito de Natal.

João Maia (PR), outro aliado de primeira hora, não deve mandar sequer uma coroa de flores. O PR articula a candidatura de Adão Eridan.

Robinson Faria também pulou fora já que o PMN pode lançar Fábio Faria ou o próprio Robinson. Eu não acredito que o vice-governador mande representante para o cortejo fúnebre.

Rogério Marinho não quis gastar vela com defunto ruim. O líder do PSDB declinou do convite para compor o "novo" secretariado da prefeita-borboleta.

Henrique Eduardo Alves não tem vocação para velha carpideira - aquela figura que é paga para chorar nos enterros alheios. Ele vai ficar com o filé da administração de Micarla - Semopi e Semob - mas não irá formalizar o apoio do PMDB à gestão da pevista. Pegar na aba do caixão? Nem pensar. O PMDB deve lançar candidatura própria: Waltinho ou Hermano.

Pois é. Quem vai velar a gestão de Micarla? Quem?

A impressão que a gente tem é que o velório da gestão em Natal deve varar a longa e fria madrugada - quase dois anos de mandato ainda - com alguns poucos familiares e meia dúzia de gatos-pingados.

A cena é triste. Snif! Snif! Muito triste. Snif! 

Mas é preciso ter fé. Acreditar na ressurreição, talvez. Quem sabe a prefeita Micarla de Sousa não encontra a salvação na parceria com o Governo Federal? Quem sabe?

Já imaginou revivermos a cena bíblica?

Dilma Rousseff, como um Cristo salvador, liberando verbas e obras para Natal, poderá dizer:

- LEVANTA-TE, LÁZARO! 

Ou melhor: - LEVANTA-TE, MICARLA!
Fonte: Nominuto.com

PF prende maranhense com 45 ,6 kg de cocaína em rodovia do RN


Droga estava camuflada em um compartimento sob a carroceria de uma Hilux, com placa de Itaguara-MG.



Foto: Divulgação / PF-RN
A Policia Federal fez mais um flagrante de entorpecente no Rio Grande do Norte. Um agente funerário maranhense de 31 anos, residente em Goiânia-GO, foi preso nesta terça-feira (1º), na BR 304, com 46,6 kg de cocaína. A droga estava camuflada em um compartimento sob a carroceria de uma Hilux, com placa de Itaguara-MG.

Por volta das 21h30, os policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) realizavam uma barreira no Posto da PRF na cidade de Macaíba, região da Grande Natal, em razão de frequentes notícias dando conta de que supostos criminosos envolvidos com sequestro, assaltos a bancos e traficantes de drogas estariam se deslocando para este estado. 

Assim, inúmeros veículos passaram a ser parados e vistoriados. Um deles foi uma Hilux com placa de MG, onde viajavam um casal e duas crianças. Ao serem abordados e o motorista entrevistado, este mostrou-se extremamente nervoso e em momento algum apresentou explicações convincentes para as perguntas que lhes eram dirigidas. 

Apesar do veículo não ter nada aparentemente irregular, o homem continuava trêmulo, razão pela qual foi convidado a acompanhar os policiais até a sede da Polícia Federal em Natal, onde a Hilux passou a ser desmontada na parte traseira e logo surgiu através de frestas na carroceria um compartimento onde se via folhas de jornal, fato que aumentou mais ainda as suspeitas dos policiais de que ali existisse droga, o que foi confirmado depois da completa retirada do para-choque.
Foto:Divulgação

O homem então foi autuado logo após os peritos confirmarem que o material apreendido apresentara resultado positivo para o alcaloide cocaína. 

Durante o seu depoimento, ele disse que adquiriu a droga de um boliviano que não sabe o nome, na Zona Rural do município de Cáceres/MT. Após, viajou para Goiânia onde providenciou a ocultação na parte traseira da Hilux e de lá veio para Natal, mas antes convidou a companheira sem que essa soubesse que havia entorpecente escondido no carro.
Foto:Divulgação

O suspeito, que já possui antecedentes criminais por furto, porte ilegal de arma e lesão corporal, garantiu ainda que iria vender toda a droga nesta capital, embora “não tivesse nenhum contato na cidade”. 

Enquadrado na Lei nº 11.343/06, o homem encontra-se provisoriamente custodiado na PF à disposição da Justiça. Caso venha a ser condenado poderá pegar uma pena de até 15 anos de reclusão.

Fonte: Numinuto.com

terça-feira, 1 de março de 2011

SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE ABEL SOARES FERREIRA , REUNIU DIRETORES E VICE DIRETORES DAS ESCOLAS DO MUNICÍPIO


A reunião com os diretores  e vice diretores de escolas do município teve como objetivo traçar diretrizes no campo administrativo,disciplinar e orientação sobre a legislação jurídica, dentre outros pertinente a pasta. 

Professor Abel em palestra com os diretores e vices. 
Diretoras e vice atentas as orientações
Abel explica como funcionarão as instituições de ensino.

Fotos: Efigênio Silva

Secretaria de Segurança do RN anuncia efetivo para o carnaval

Segundo Comandante Geral, 10 mil homens trabalharão para garantir segurança. Corpo de Bombeiros e Polícia Civil também reforção efetivo.


Foto: Elpídio Júnior
Teremos 10 mil homens para trabalhar no carnval em todo o estado, diz coronel Francisco Araújo.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) apresentou à imprensa na manhã desta terça-feira (02), no Comando Geral de Polícia em Natal o efetivo e a logística de polícia que vai trabalhar nos quatro dias de carnaval em todo o Estado. O Comandante Geral da Polícia Militar, Francisco Canindé Araújo disse que cerca de 5 mil homens a mais vão atuar nos principais pólos da folia, totalizando 10 mil policiais .

Somente em Natal e Grande Natal o comandante do Policiamento Metropolitano Cel Alarico Azevedo disse que os pontos com maior atenção terão 550 policiais extras. Eles serão distribuídos: nos bairros da Ribeira, Rocas, Redinha e Alecrim nos eventos de Pirangi, Camurupim, São José do Mipibu, Monte Alegre, Macaíba, Genipabu, Barra do Rio e Pitangui.

“Este ano alguns municípios extras solicitaram um aumento de policiamento, como São José e Monte Alegre. Então independentemente da Operação Verão teremos uma média de 2.500 policias em toda Região Metropolitana já nesta sexta-feira até a quarta-feira de Cinzas” contabilizou.

AInda na capital potiguar o secretário de Defesa Social, Carlos Paiva disse que com a integração da Guarda Municipal ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) haverá seis viaturas da Prefeitura na cidade entre praças públicas, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendiemento (UPA's).

Foto:Elpídio Junior
"Duas delegacias de plantão serão criadas no carnaval, na Redinha e em Pirangi", diz Ronaldo Gomes da Degepol.

Já no Interior, o comandante do Policiamento Coronel Reinaldo Lima listou como prioridades os municípios de Areia Branca, Caicó, Tibau do Sul, Macau, Macau, Maxaranguape, Guamaré, Pendências e Touros.

Para garantir o acesso tranquilo dos foliões pelas estradas estaduais o Comandante da Polícia Rodoviária Estadual, Coronel Canindé Freitas informou que 292 policiais realizarão blitzens para testes de bafômetro, verificação de documentação e instalação de redutores de velocidade.

“Teremos três pontos operacionais em Natal, na Eng. Roberto Freire, Rota do Sol, além de reforço de policiamento 171 policiais. Também teremos 30 homens no Agreste, 47 no Seridó, 36 no Médio Sertão e mais 8 no Setão próximo a Alexandria”.

Além das delegacias de plantão da zona norte e zona sul, o Delegado Geral de Polícia Civil Ronaldo Gomes informou que população de Natal terá o reforço de mais dois plantões, um na 13ª DP na Redinha e outro na avenida São Sebastião em Pirangi. Em Touros, Macau, Apodi e Caicó, e Mossoró também haverá plantões.

O  Coronel Elizeu Dantas, comandante do Corpo de Bombeiros também informou 198 estarão de prontidão nas áreas de Serviço Técnico de Engenharia, Combate ao Incêndio e Salvamentos, Salvamento Aquático. "Caso algum evento esteja irregular, podemos interditá-lo" alertou o comandante.

Atualizada às 13h30 para acréscimo de informações.
Fonte: Nominuto.com



Acidente com caminhão deixa trânsito interditado em dois sentidos

Com o acidente envolvendo um caminhão carregado de combustível de aviação, trânsito foi interditado em dois trechos e gerou engarrafamentos.



Os motoristas que pegaram estrada na manhã desta terça-feira, no sentido BR 304, tiveram que ter paciência. Com o acidente envolvendo um caminhão carregado de combustível de aviação, o trânsito foi interditado em dois trechos e gerou longos engarrafamentos.

O acidente aconteceu por volta das 5h30, exatamente na rotatória que divide a Reta Tabajara, a BR226 e a BR304. O veículo perdeu o controle e tombou, explodindo logo em seguida. Como ele é feito de material resistente ao calor, manteve-se inteiro, embora carbonizado.

O motorista e um ajudante estavam no veículo e conseguiram sair antes do incêndio. Eles tiveram ferimentos leves e foram levados ao Hospital de Macaíba. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o caminhão estava carregado com 50 mil litros de querosene de avião.

Foto:Thyago Macedo

Esse tipo de combustível ao ser queimado não pode ser apagado com água. Para isso, os bombeiros usaram uma espuma chamada LGE. No entanto, o material acabou e os bombeiros tiveram que aguardar todo o combustível queimar.

Por esse motivo, o trânsito ficou interditado gerando engarrafamento de quase dois quilômetros na Reta Tabajara e outro engarrafamento na BR304, logo após a rotatória. Apenas uma faixa estava liberada para quem trafegava no sentido BR226/Natal.

Fonte: Nominuto.com

Atropelamento em massa de ciclistas expõe uso do carro como arma

Sexta-feira (25). Porto Alegre. Todos estavam prontos para a tradicional Biciletada, encontro do Massa Crítica que reúne ciclistas uma vez por mês em várias capitais do país. Logo na saída do passeio, o pior aconteceu. Sem o mínimo constrangimento, um Golf preto parte para cima dos ciclistas, atropelando dezenas de pessoas. As cenas de agressividade, flagradas por um cinegrafista amador, expõem uma prática crescente e escandalosa no país: o uso do carro como arma.



  Impunidade não

Neste domingo (28), o motorista que atropelou ciclistas no bairro Cidade Baixa, se apresentou á Polícia Civil para prestar depoimento. O bancário, funcionário do Banco Central, Ricardo Neis, 47 anos, entrou na Delegacia de Crimes de Trânsito pelo estacionamento, acompanhado por dois advogados de defesa e escoltado por quatro policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOE).

Ao encerrar o depoimento, ele disse à imprensa que foi agredido pelos ciclistas e agiu em legítima defesa. "Estou totalmente transtornado com o que aconteceu e lamento muito o ocorrido, mas não tive outra alternativa. Eles atacaram o carro, quebraram espelhos e paravam os carros que transitavam pelo local, então tive que acelerar para sair logo dali senão seria linchado", afirmou.

Ele ainda afirmou que o ato de abandonar o carro foi explicado pelo fato de ter ficado temeroso com uma nova aproximação dos manifestantes. "Os documentos foram deixados no carro para que pudesse ser identificado, mostrando que não estava fugindo", afirmou.

Pascual Serrano: Mídia digital e contexto social

Para entender onde estamos, é preciso entender um pouco de história. No campo da mídia, tem havido algumas evoluções e regressões que devem ser observadas. Para expor o primeiro, vou me referir à nascente imprensa da Grã-Bretanha, no século 19.

Por Pascual Serrano*

Tratava-se de uma imprensa tecnologicamente muito precária, com poucos recursos infográficos e produzida em condições técnicas simples. Não requeria grandes investimentos empresariais, financiava-se exclusivamente com os leitores e a um preço muito acessível. Devido a isso, o cenário editorial era bastante plural: os setores burgueses endinheirados tinham seus jornais neoliberais, de direita; e os setores sindicais e dos trabalhadores, de esquerda, sua própria imprensa. Ambos contavam com numerosos leitores e uma situação econômica viável.

O desenvolvimento industrial provocou tremendas melhorias nos sistemas de impressão e os investimentos para por em funcionamento uma máquina ficaram muito maiores. Tratavam-se de investimentos impossíveis de serem assumidos pelos setores progressistas e de esquerda, cuja imprensa perdeu terreno frente à da direita. Esse fenômeno voltou a se repetir com a globalização e as televisões: os investimentos e gastos correntes se fazem maiores e, mais uma vez, os grupos sociais mais populares se vêem de novo expulsos da indústria dos meios de comunicação.

A incorporação de publicidade foi outra tragédia para a imprensa dos trabalhadores. Com os anúncios, aparecia uma nova via de financiamento que permitia reduzir o preço do exemplar, mas a publicidade só se dirigia aos meios com os quais se sintonizava ideologicamente e ou cujos acionistas estivessem cruzados a empresa anunciante, ou seja, a imprensa mais neoliberal e burguesa. Os setores sindicalistas não podiam ascender a essa via de financiamento, seus jornais chegavam às ruas com um preço mais caro, perdiam vendas enquanto os outros subiam suas tiragens, barateavam o custo e podiam assumir mais investimentos. Ou seja, desde o advento da imprensa ocorreu um processo pelo qual a opção progressista de esquerda se viu expulsa do panorama devido ao mercado e ao desenvolvimento industrial.

Vejamos outro fenômeno: durante as ditaduras do século passado, em especial as da América Latina, os governos tinham o controle e a propriedade dos meios de comunicação. Isto levou a que só por meio de uma imprensa não estatal – e muitas vezes clandestina – se pudesse ter uma verdadeira informação livre. O desaparecimento das ditaduras, o processo de transição e do desenvolvimento das políticas neoliberais das décadas de 80 e 90 desmantelaram os meios de comunicação públicos e provocaram o desenvolvimento dos privados que, além do mais, capitalizaram a imagem de liberdade e independência que se formou durante as ditaduras.

No imaginário popular, seguia-se associando meios de comunicação privados a liberdade de expressão, e legislação e intervenção estatais a medidas repressivas ditatoriais. Na Espanha franquista se dizia que a melhor lei de imprensa era a que não existia (algo que então era lógico, porque Franco a havia feito, mas hoje eu não concordaria). O tempo demonstrou que esta visão é errônea.

Os Estados agora são democráticos e as medidas que se estabelecem para o panorama midiático são legítimas e fruto do interesse público. Por outro lado, os meios de comunicação privados são grupos econômicos empresariais que não representam a ninguém mais que os seus acionistas e anunciantes, e que utilizam a liberdade de expressão como um mero pretexto para não se submeter à regulação da lei dos poderes públicos e democráticos.

Todos esses elementos negativos foram encontrados pelos governos progressistas que foram sendo eleitos na América Latina. As necessidades sociais que estão sendo enfrentadas fizeram com que durante sua primeira década de governo não tenham abordado mudanças no panorama midiático, o que lhes permitiu comprovar que os meios de comunicação tornaram-se o primeiro ato e veículo de luta dos poderes econômicos e reacionários contra as políticas progressistas.

Muitos desses governantes adotaram um discurso vitimista e lamentoso que se limitava a denunciar e a queixar-se das vis tergiversações, mentiras e conspirações com que os meios de comunicação lutavam para derrubar governos legítimos. Por fim, é chegado o momento de tomar a iniciativa: desenvolvimento de um forte setor público de meios de comunicação, criação de sistemas para a construção de meios comunitários e coletivos, legislações que impeçam a utilização dos meios de comunicação privados como veículos de desinformação e manipulação, garantia da cidadania para obter uma informação verídica e a ser protagonistas da informação. Em qualquer caso, a situação é alucinante, pois enfrentamos muitos desafios:



1 - O papel do Estado é fundamental para democratizar a comunicação: mas os líderes políticos devem demonstrar que são capazes de desenvolver um modelo que não será uma mera correia de transmissão do governo ou do partido governante. Existe o perigo de se chegar a um cenário de divisão entre meios privados que combatem com impunidade mediante a mentira e a manipulação governos progressistas e meios públicos dedicados apenas ao "seguidismo" governamental. No meio estaria um cidadão desinformado, sem possibilidade de acesso a uma informação rigorosa e análises independentes.


2 – É preciso acabar com a impunidade dos meios de comunicação privados para enganar e para mentir, mas sem restringir a liberdade de expressão.


3 - É importante tomar medidas contra o parasitismo de muitos meios de comunicação privados que, embora defendam a economia de mercado e se apresentem como independentes, recebem importantes receitas de publicidade estatal e isenções fiscais.


4 – É preciso explicar e convencer de que aquilo que os meios de comunicação privados apresentam como liberdade de expressão e de imprensa, são apenas seu privilégio para continuar a dominar o cenário da informação monopolizando o espaço radioelétrico e para intervir politicamente sob a guarda-chuva da informação.


5 - É necessário promover políticas de informação adequadas às diferentes instituições governamentais para que a transparência das informações permita enfrentar, sem complexos, todas as campanhas nacionais e internacionais de desinformação.


6 – Faz-se necessária a formação de profissionais de comunicação que atuem sem os vícios dos jornalistas atuais, dominados pela inércia das ideologias ocultas das agências de informação; e com a trivialidade e a frivolidade como inspiradores dos conteúdos. É preciso formar uma nova geração de jornalistas com os códigos técnicos comunicativos que hoje são propriedade quase exclusiva dos impérios de comunicação privados.


7 – É preciso educar o público como consumidores críticos dos meios de comunicação e, ao mesmo tempo, como sujeitos ativos em seu âmbito cidadão para difundir e protagonizar a agenda informativa da sua comunidade.


8 – É fundamental evitar as tentações, em todos os níveis de poder político, de utilizar em proveito próprio os meios de comunicação públicos em lugar de submetê-los à verdade e ao direito dos cidadãos de serem informados.


9 – Os meios de comunicação dos países da Alba devem se lembrar que a cada dia o mundo está menor, o desafio não é apenas levar a verdade aos seus cidadãos, mas também à comunidade internacional. O domínio global dos grandes grupos de comunicação é impressionante, e é importante que a mensagem do Sul chegue também aos cidadãos do Norte, onde não se produzem os avanços na democratização dos meios.


10 – É preciso definir o modelo de conteúdos. De acordo com Aram Aharonian, "de nada serve ter novos meios, televisões novas, se não temos novos conteúdos, se seguimos copiando as formas hegemônicas. De nada servem novos meios de comunicação se não cremos na necessidade de ver com nossos próprios olhos. Porque lançar novos meios de comunicação para repetir a mensagem do inimigo é ser cúmplice do inimigo"[1]. Isso supõe abrir uma discussão sobre que formatos, técnicas e estilos devem ser adotados. Se a aposta é em uma mudança revolucionária na forma, que tenha por objetivo subverter o estilo mercantilista dominante – mas que pode provocar a rejeição e incompreensão dos cidadãos –; ou se, pelo contrário, não se deve renunciar a certos estilos técnicos do modelo dominante, mas adaptá-los a outros princípios e valores.


11 - Também há que se especificar que nível de participação cidadã se reserva às novas propostas e como se combina o dilema entre a maior democratização e participação cidadã e uma necessária profissionalização dos conteúdos. Nem o meio de comunicação deve ser uma mera praça pública onde qualquer um vá gritar, nem se deve repetir o modelo atual de meios surdos para cidadãos mudos.


12 – Por último, há que planejar o sistema de controle social adequado a cada sociedade. Os meios de comunicação, como as instituições, não pode ser deixados sem controle nas mãos dos "eleitos", com a esperança ingênua de que façam a coisa certa.
Também seria um erro pensar que o desenvolvimento e o modelo podem ser os mesmos para todos os países, por mais intenções integradoras que se tenha. Elementos como o componente indígena, o desigual nível cultural e de qualificação técnica de uns países em relação a outros ou o diferente estágio de desenvolvimento dos movimentos sociais são elementos que dotam de um perfil distinto cada país e que devem se refletir no desenvolvimento do seu modelo informativo. O que é indiscutível é que hoje, na América Latina e especialmente nos países da Alba, está sendo construído o futuro de outro sistema de meios de comunicação possível. Ali se encontra o futuro que está convertendo os europeus em meros restos do passado. O encontro ao qual nos convocaram a revista La Jiribilla e La Vantana e o portal informativo da Casa das Américas dedicam especial atenção aos meios digitais e lhes quero dedicar algumas palavras.

Ninguém mais contesta que a internet tem sido uma janela de ar fresco ao asfixiante controle da informação de que desfrutavam os impérios empresariais. Mas não basta dizer que a Internet é livre, há que se fazer um bom trabalho. Corremos o perigo de que a saturação de internet enterre a participação dos cidadãos, a veracidade, as opiniões honestas, as análises valiosas, entre escombros e entulho virtual. O capitalismo conseguiu invalidar grandes invenções técnicas que poderiam supor um grande avanço para a informação e a cultura, como a televisão; e colonizar outras, como o cinema.

Os Estados progressistas devem criar as suas próprias condições. Não podemos reclamar que expulsam o Cubadebate do Youtube, ou, no meu país, o Partido Comunista do Facebook. O que esperavam? É como denunciar que impedem, nos Estados Unidos, os Panteras Negras de realizar reuniões no McDonald´s. Os governos honestos da América Latina devem criar um servidor para vídeos, não lamentar que o capitalismo não os deixa usar o seu. Do mesmo modo que não podemos denunciar que as editoras comerciais não publicam autores de esquerda, os governos devem criar as suas próprias estruturas de publicação que garantam a publicação desses autores e, por certo, a sua sobrevivência.

Dito isto, e voltando à mídia digital. É necessário:

- Governos e Estados que forneçam a logística necessária, sem depender do poder capitalista: servidores, software, hardware, provedores.

- Reconhecimento profissional para esses meios de comunicação no mesmo nível que os tradicionais.

- Formação acadêmica que contemple a especificidade da informação em formato digital.

- Realizar um jornalismo elaborado, rigoroso, documentado, evitando transformar a rede em placas de anúncios para debates, manifestos, proclamações, desabafos, etc. Eu não estou dizendo que não deveriam estar na rede, mas isso não é jornalismo.

- Os meios digitais não podem popularizar e democratizar o jornalismo à custa de diminuir a qualidade e o profissionalismo.

- Acesso dos jornalistas à informação oficial e a seus representantes para poder difundir a realidade.

- É preciso estabelecer um novo modelo de reconhecimento econômico. Trata-se do debate sobre a gratuidade. Associamos gratuidade a democratização, direito universal e social. É estupenda a educação gratuita, a saúde gratuita. Mas com a informação é diferente. Devemos desconfiar da informação gratuita em uma economia de mercado, porque não sabemos a que interesses obedece. Se a sociedade e os Estados deixam os profissionais e os projetos comunitários abandonados, ou se condenarão à marginalidade ou, pior, à cooptação pelo capital – enquanto se apresentam como projetos sociais sem fins lucrativos.

Como se pode comprovar, são numerosos os desafios. É fundamental – na minha opinião – o compromisso do Estado e é alucinante o futuro que enfrentaremos.

*Pascual Serrano é jornalista, fundador do portal rebelion.org e autor de diversos livros.
Fonte: Cubadebate
Tradução: Luana Bonone


Uma campanha para comemorar o “Dia Internacional da Mulher”

Para comemorar o “Dia Internacional da Mulher”, o governo federal começou a divulgar desde o último domingo (27) uma campanha publicitária. As peças de comunicação, que incluem TV, rádio, internet, revistas e cartazes, foram criadas para elevar o sentimento de autoestima da mulher, destacando suas conquistas, seu potencial, sua capacidade e sua força transformadora.


A campanha fica no ar até o fim de março. “Quando as mulheres transformam a sua história, o Brasil inteiro se transforma com elas,” diz.

A campanha deste ano se reveste com um enfoque bem especial, já que é o primeiro ano da presidenta Dilma Rousseff no mais alto cargo do país. Tomando este e tantos outros exemplos espalhados Brasil afora, a mulher é posicionada como protagonista de suas conquistas e do exercício dos seus direitos.

“Ela ainda não sabe, mas o que realmente importa é que no Brasil de hoje ela tem a oportunidade de ser o que quiser”, destaca.

As peças de comunicação também reforçam o papel da mulher como agente transformador no processo de desenvolvimento econômico e social do país, já que representa a maior parte da população, 41% da força de trabalho, e chefia cerca de 35% das famílias.

Fonte: Blog do Planalto

EUA movimentam forças militares para cercar a Líbia

Horas depois de a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ter afirmado que uma intervenção militar na Líbia é uma opção considerada por seu país, as Forças Armadas dos Estados Unidos começaram a ser reposicionadas nos arredores do país africano.

O porta-voz do Departamento de Defesa, coronel Dave Lapan, disse que a equipe de planejamento do Pentágono trabalha com várias opções e planos de contingência e, como parte desses, estava reposicionando suas forças navais e aéreas.

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O porta-voz Lapan não negou que os EUA estão considerando intervir militarmente na Líbia. Os EUA contam com força militar poderosa no Mar Mediterrâneo e têm dois porta-aviões mais ao sul, na área do golfo Pérsico.

"Nós temos planejadores trabalhando e vários planos de contenção e eu acho que é seguro dizer que como parte disso estamos reposicionando nossas forças para sermos capazes de dar esta flexibilidade assim que as decisões forem tomadas", disse.

Congelamento de bens

O presidente americano, Barack Obama, assinou uma ordem executiva para congelar todos os ativos de Muamar Kadafi, sua família e membros de seu regime, algo que não foi feito em relação aos regimes de países árabes que também estão sacudidos por revoltas populares, como o Iêmen e o Barein.

Durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, admitiu que a opção de declarar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia "está sobre a mesa", entre outras medidas.

"A zona de exclusão aérea é uma opção que estamos considerando atualmente. Todas as opções estão sobre a mesa", disse em entrevista coletiva.

A secretária de Estado alegou que a zona de exclusão aérea é uma das opções consideradas para "pressionar o regime" de Kadafi e que há "um número de ações potenciais" que poderiam ser aplicadas nos próximos dias, "especialmente do lado europeu". Além da Itália, a Austrália já manifestou apoio à aplicação da zona de exclusão aérea.

Outra medida discutida no encontro de Genebra foi a possibilidade de um calote nos pagamentos à Líbia durante 60 dias. A opção foi proposta pela Alemanha e, apesar de ter mais apoios que a da "exclusão aérea", não obteve consenso para ser adotada a curto prazo.

"Está na hora de Kadafi sair”, trovejou Hillary. "Queremos que a violência acabe. Se Kadafi saísse e a violência acabasse, seria um bom passo, mas não devemos esquecer que ele deve pagar por seus atos", afirmou a chefe da diplomacia americana.

Hillary não pronunciou uma palavra sobre a repressão violenta que a monarquia de Barein tem cometido contra os manifestantes na capital do país, Manama, e na revolta popular do Egito o regime americano só mostrou um débil apoio à iniciativa popular depois da certeza de que o regime Mubarak era caso perdido.

No Barein, o exército Real disparou, com munição real ou usando armamento antiaéreo, contra manifestantes que protestavam com flores. Helicópteros Bell, de fabricação americana, sobrevoaram, perseguiram e assassinaram pessoas. Mesmos crimes que são atribuídos a Kadafi na repressão às manifestações na Líbia. No entanto, nenhuma voz de protesto ou a favor da condenação do regime bareinita foi levantada nos Estados Unidos ou nos seus aliados.

O Barein é um satélite importante dos Estados Unidos no Oriente Médio por abrigar a 5.ª Frota da Marinha americana, que vigia a região do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho e leste da África. A frota americana inclui porta-aviões e destróieres, além de embarcações menores de assalto. Cerca de 4.500 americanos, civis e militares, moram na base de Juffairare, na periferia da capital Manama.

Critérios diferentes

Os líderes revolucionários latino-americanos, Fidel Castro e Hugo Chávez, já tinham advertido para os critérios diferentes utilizados pelo imperialismo norte-americano e seus aliados da União Europeia relativamente aos diferentes cenários do que se convencionou chamar de Revolta Árabe.

A brutalidade da ação imperialista para com a Líbia é tamanha, a ofensiva é tão forte que parece muito provável a queda do regime de Kadafi.

A esta altura a situação da Líbia é muito complexa e nenhuma solução parece satisfatória a quem se preocupa pela paz no mundo e por uma saída política para os conflitos. A tal ponto que o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon despachou nesta segunda-feira com o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca, examinando conjuntamente as “opções” que madame Clinton diz não descartar. É bem o sinal da decadência das instituições multilaterais, inteiramente instrumentalizadas pelo imperialismo.

É algo sobre o que as forças progressistas e amantes da paz teriam que refletir profundamente para não cair no conto do multilateralismo retórico que apenas serve de biombo para o unilateralismo e a política de força.

As possíveis saídas para a situação da Líbia são dramáticas. A permanência de Kadafi no poder será combustível ao fogo da guerra civil. Sua resistência à base de atitudes de desespero, poderá dar o pretexto à invasão das tropas norte-americanas, da Otan ou dos capacetes azuis. A ameaça de que tal intervenção se concretize é hoje o maior fator de pressão do imperialismo sobre Kadafi.

Rebelião pré-ordenada

A evolução dos acontecimentos na Líbia nas duas últimas semanas mostrou que muito ao contrário do que se passou na Tunísia e no Egito, onde houve uma explosão popular espontânea, ali ocorreu uma espécie de rebelião pré-ordenada, combinada com uma estrepitosa cisão do governo e das forças armadas apoiadas por forças reacionárias internas e pelas potências externas.

O grupo dirigente, chefiado pelo coronel Kadafi, outrora um líder nacionalista e anticolonialista, degenerou no poder, transformou-se numa espécie de autocracia familiar ou oligárquica e ultimamente se perdeu em atitudes erráticas, que culminaram no estabelecimento de relações ambíguas com as potências imperialistas.

Num ambiente de dificuldades para a imensa maioria do povo, de concentração de riqueza, corrupção, divisões tribais e em meio à montagem de um cenário para uma sucessão dinástica que desagradou as forças armadas, convergiram diferentes tipos de descontentamentos que tiveram a oportunidade de explodir a partir dos acontecimentos nos demais países do norte da África, principalmente Tunísia e Egito.

Os acontecimentos na Líbia são emblemáticos de como agem o imperialismo e a sua mídia. Desde os primeiros dias, não eram apenas manifestações pacíficas e democráticas, conduzidas por jovens, intelectuais e políticos democráticos, como no Egito e na Tunísia.

Na verdade, logo no início da rebelião na Líbia, surgiram focos de um conflito armado, uma guerra civil, com tanques e armas pesadas dos dois lados. Os Estados Unidos e a Europa, que posam de democráticos, e a sua mídia da “liberdade de expressão” deram voz, força e o status de “oposição” aos remanescentes do poder tribal, da monarquia retrógrada derrubada há mais de quatro décadas e aos representantes do que há de mais obscurantista não só no Magreb mas também no Mashrek, como são designados o Ocidente e o Oriente no mundo árabe.

Disputa entre potências?

Certamente, estas são apenas as primeiras escaramuças de uma história sem fim previsível. Seu leitmotiv e sua “moral” é o petróleo cada vez mais escasso. Pela mesma razão as potências imperialistas, com os EUA à frente, ameaçam o regime dos aiatolás no Irã, desde que o fantoche pró-americano, o xá Reza Pahlevi, foi destronado há 32 anos pela revolução popular. No Iraque já vão na segunda guerra de agressão e lá os imperialistas se encontram empantanados e desmoralizados.

É preciso estudar a fundo as razões por que os Estados Unidos e seus aliados europeus se pronunciam com tamanha virulência e estão prontos para intervir militarmente. A Líbia é grande fornecedora de petróleo também para a China.

Nos últimos dias, 30 mil chineses que trabalhavam em diferentes atividades foram evacuados do país. É um numero surpreendentemente revelador da intensa atividade econômica chinesa na Líbia. O mesmo se passa em quase toda a África, que pode estar se tornando no novo alvo de uma disputa entre uma potência declinante e outra emergente.

Não é à toa que os Estados Unidos estão instalando o Comando Africano, apelidado de Africom, um dispositivo militar múltiplo envolvendo bases militares e instalação de equipamentos bélicos. Pode ter o mesmo sentido a preocupação dos think tanks ligados ao Pentágono com a disputa pela hegemonia militar no Oceano Índico, que banha precisamente o lado oriental da África.

José Reinaldo Carvalho e Humberto Alencar, com informações das agências

POLÍTICA INTERNACIONAL

EUA movimentam forças militares para cercar a Líbia

Horas depois de a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ter afirmado que uma intervenção militar na Líbia é uma opção considerada por seu país, as Forças Armadas dos Estados Unidos começaram a ser reposicionadas nos arredores do país africano.

O porta-voz do Departamento de Defesa, coronel Dave Lapan, disse que a equipe de planejamento do Pentágono trabalha com várias opções e planos de contingência e, como parte desses, estava reposicionando suas forças navais e aéreas.

O porta-voz Lapan não negou que os EUA estão considerando intervir militarmente na Líbia. Os EUA contam com força militar poderosa no Mar Mediterrâneo e têm dois porta-aviões mais ao sul, na área do golfo Pérsico.

"Nós temos planejadores trabalhando e vários planos de contenção e eu acho que é seguro dizer que como parte disso estamos reposicionando nossas forças para sermos capazes de dar esta flexibilidade assim que as decisões forem tomadas", disse.

Congelamento de bens

O presidente americano, Barack Obama, assinou uma ordem executiva para congelar todos os ativos de Muamar Kadafi, sua família e membros de seu regime, algo que não foi feito em relação aos regimes de países árabes que também estão sacudidos por revoltas populares, como o Iêmen e o Barein.

Durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, admitiu que a opção de declarar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia "está sobre a mesa", entre outras medidas.

"A zona de exclusão aérea é uma opção que estamos considerando atualmente. Todas as opções estão sobre a mesa", disse em entrevista coletiva.

A secretária de Estado alegou que a zona de exclusão aérea é uma das opções consideradas para "pressionar o regime" de Kadafi e que há "um número de ações potenciais" que poderiam ser aplicadas nos próximos dias, "especialmente do lado europeu". Além da Itália, a Austrália já manifestou apoio à aplicação da zona de exclusão aérea.

Outra medida discutida no encontro de Genebra foi a possibilidade de um calote nos pagamentos à Líbia durante 60 dias. A opção foi proposta pela Alemanha e, apesar de ter mais apoios que a da "exclusão aérea", não obteve consenso para ser adotada a curto prazo.

"Está na hora de Kadafi sair”, trovejou Hillary. "Queremos que a violência acabe. Se Kadafi saísse e a violência acabasse, seria um bom passo, mas não devemos esquecer que ele deve pagar por seus atos", afirmou a chefe da diplomacia americana.

Hillary não pronunciou uma palavra sobre a repressão violenta que a monarquia de Barein tem cometido contra os manifestantes na capital do país, Manama, e na revolta popular do Egito o regime americano só mostrou um débil apoio à iniciativa popular depois da certeza de que o regime Mubarak era caso perdido.

No Barein, o exército Real disparou, com munição real ou usando armamento antiaéreo, contra manifestantes que protestavam com flores. Helicópteros Bell, de fabricação americana, sobrevoaram, perseguiram e assassinaram pessoas. Mesmos crimes que são atribuídos a Kadafi na repressão às manifestações na Líbia. No entanto, nenhuma voz de protesto ou a favor da condenação do regime bareinita foi levantada nos Estados Unidos ou nos seus aliados.

O Barein é um satélite importante dos Estados Unidos no Oriente Médio por abrigar a 5.ª Frota da Marinha americana, que vigia a região do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho e leste da África. A frota americana inclui porta-aviões e destróieres, além de embarcações menores de assalto. Cerca de 4.500 americanos, civis e militares, moram na base de Juffairare, na periferia da capital Manama.

Critérios diferentes

Os líderes revolucionários latino-americanos, Fidel Castro e Hugo Chávez, já tinham advertido para os critérios diferentes utilizados pelo imperialismo norte-americano e seus aliados da União Europeia relativamente aos diferentes cenários do que se convencionou chamar de Revolta Árabe.

A brutalidade da ação imperialista para com a Líbia é tamanha, a ofensiva é tão forte que parece muito provável a queda do regime de Kadafi.

A esta altura a situação da Líbia é muito complexa e nenhuma solução parece satisfatória a quem se preocupa pela paz no mundo e por uma saída política para os conflitos. A tal ponto que o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon despachou nesta segunda-feira com o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca, examinando conjuntamente as “opções” que madame Clinton diz não descartar. É bem o sinal da decadência das instituições multilaterais, inteiramente instrumentalizadas pelo imperialismo.

É algo sobre o que as forças progressistas e amantes da paz teriam que refletir profundamente para não cair no conto do multilateralismo retórico que apenas serve de biombo para o unilateralismo e a política de força.

As possíveis saídas para a situação da Líbia são dramáticas. A permanência de Kadafi no poder será combustível ao fogo da guerra civil. Sua resistência à base de atitudes de desespero, poderá dar o pretexto à invasão das tropas norte-americanas, da Otan ou dos capacetes azuis. A ameaça de que tal intervenção se concretize é hoje o maior fator de pressão do imperialismo sobre Kadafi.

Rebelião pré-ordenada

A evolução dos acontecimentos na Líbia nas duas últimas semanas mostrou que muito ao contrário do que se passou na Tunísia e no Egito, onde houve uma explosão popular espontânea, ali ocorreu uma espécie de rebelião pré-ordenada, combinada com uma estrepitosa cisão do governo e das forças armadas apoiadas por forças reacionárias internas e pelas potências externas.

O grupo dirigente, chefiado pelo coronel Kadafi, outrora um líder nacionalista e anticolonialista, degenerou no poder, transformou-se numa espécie de autocracia familiar ou oligárquica e ultimamente se perdeu em atitudes erráticas, que culminaram no estabelecimento de relações ambíguas com as potências imperialistas.

Num ambiente de dificuldades para a imensa maioria do povo, de concentração de riqueza, corrupção, divisões tribais e em meio à montagem de um cenário para uma sucessão dinástica que desagradou as forças armadas, convergiram diferentes tipos de descontentamentos que tiveram a oportunidade de explodir a partir dos acontecimentos nos demais países do norte da África, principalmente Tunísia e Egito.

Os acontecimentos na Líbia são emblemáticos de como agem o imperialismo e a sua mídia. Desde os primeiros dias, não eram apenas manifestações pacíficas e democráticas, conduzidas por jovens, intelectuais e políticos democráticos, como no Egito e na Tunísia.

Na verdade, logo no início da rebelião na Líbia, surgiram focos de um conflito armado, uma guerra civil, com tanques e armas pesadas dos dois lados. Os Estados Unidos e a Europa, que posam de democráticos, e a sua mídia da “liberdade de expressão” deram voz, força e o status de “oposição” aos remanescentes do poder tribal, da monarquia retrógrada derrubada há mais de quatro décadas e aos representantes do que há de mais obscurantista não só no Magreb mas também no Mashrek, como são designados o Ocidente e o Oriente no mundo árabe.

Disputa entre potências?

Certamente, estas são apenas as primeiras escaramuças de uma história sem fim previsível. Seu leitmotiv e sua “moral” é o petróleo cada vez mais escasso. Pela mesma razão as potências imperialistas, com os EUA à frente, ameaçam o regime dos aiatolás no Irã, desde que o fantoche pró-americano, o xá Reza Pahlevi, foi destronado há 32 anos pela revolução popular. No Iraque já vão na segunda guerra de agressão e lá os imperialistas se encontram empantanados e desmoralizados.

É preciso estudar a fundo as razões por que os Estados Unidos e seus aliados europeus se pronunciam com tamanha virulência e estão prontos para intervir militarmente. A Líbia é grande fornecedora de petróleo também para a China.

Nos últimos dias, 30 mil chineses que trabalhavam em diferentes atividades foram evacuados do país. É um numero surpreendentemente revelador da intensa atividade econômica chinesa na Líbia. O mesmo se passa em quase toda a África, que pode estar se tornando no novo alvo de uma disputa entre uma potência declinante e outra emergente.

Não é à toa que os Estados Unidos estão instalando o Comando Africano, apelidado de Africom, um dispositivo militar múltiplo envolvendo bases militares e instalação de equipamentos bélicos. Pode ter o mesmo sentido a preocupação dos think tanks ligados ao Pentágono com a disputa pela hegemonia militar no Oceano Índico, que banha precisamente o lado oriental da África.

José Reinaldo Carvalho e Humberto Alencar, com informações das agências