sábado, 29 de dezembro de 2012

Protesto reivindica instalação de banheiro público


Idealizado por Emanoel do Cação, protesto realizado há seis anos, tem objetivo de chamar atenção das autoridades sobre importância de instalar banheiro na praia. Foto: José Aldenir
Idealizado por Emanoel do Cação, protesto realizado há seis anos, tem objetivo de chamar atenção das autoridades sobre importância de instalar banheiro na praia. Foto: José Aldenir
Os problemas da praia de Ponta Negra não se resumem apenas à desestruturação da orla e sujeira do maior cartão postal do Estado. Há mais de dez anos que barraqueiros, artesãos, turistas e banhistas esperam pela colocação de um banheiro público na área. Sem a menor condição das pessoas terem um local para fazer suas necessidades, a única solução, segundo pessoas que trabalham na praia, é recorrer às duchas ou mesmo ao mar.
Para chamar a atenção das autoridades do Município e do Estado quanto à essa problemática, o comerciante Emanoel do Cação instalou um “banheiro ideológico” em Ponta Negra, remetendo à necessidade da praia portar um espaço para utilização pública. Há seis anos, Emanoel vem realizando o mesmo protesto. Apesar de não ter conseguido ainda nenhum retorno verídico sobre a instalação do banheiro, ele afirma que essa é uma “luta contínua”.
“Por ser um problema recorrente há muitos anos, tive a ideia de fazer esse banheiro ideológico e chamar a atenção das pessoas. Esse é o sexto ano que estou aqui manifestando esse protesto. Minha ação é feita para que as pessoas olhem e sintam na pele que necessitamos de um espaço desse”, afirmou o comerciante. Emanoel já foi líder comunitário em Ponta Negra e disse que vem reunindo assinaturas para apresentar às autoridades.
“Já entreguei um abaixo assinado à Wilma de Faria, quando ela ainda era governadora; entreguei a Carlos Eduardo durante sua gestão passada e também deixei uma cópia com novas assinaturas para a ex-prefeita Micarla de Sousa. Mas nunca tive nenhum retorno da viabilidade da construção do banheiro”, disse. “Já ouvi rumores de que a construção do banheiro está dentro das obras da Copa. Mas quem acredita?”, indagou o manifestante.
Emanoel foi barraqueiro em Ponta Negra por 15 anos, trabalhando de domingo a domingo. Vivendo e sentindo diariamente as necessidades do descaso público, o comerciante afirmou que já perdeu clientes por causa da falta de um banheiro público na orla. “Eles passavam um tempo na minha barraca, mas quando questionavam onde seria o banheiro e viam que não havia nada relacionado, saiam imediatamente. Para nós, que trabalhamos aqui, a solução está em utilizar as duchas e os matos. E há quem também utilize o mar”, contou Emanoel, demonstrando um ar de insatisfação e vergonha.
Situação de Ponta Negra desagrada turistas
Enquanto Emanoel abordava quem ia passando pelas proximidades do banheiro ideológico, os turistas se impressionavam com o retrato adquirido pela praia. Para João Dantas, que veio de Palmas/TO a passeio, a má fama administrativa de Natal já chegou a todo o Brasil. Mesmo achando a ideia do banheiro ideológico um protesto válido, João acredita que não surtirá muito efeito. “E há algum governante aqui? A iniciativa do protesto é interessante, mas não sei se repercute com as autoridades”, criticou.
O metalúrgico Laércio de Oliveira, que veio de Minas Gerais, chegou à Natal pela boa fama da cidade, mas se mostrou arrependido. “Faz uma semana que cheguei aqui e quero ir embora. Sempre tive boas referências da cidade, mas confesso que levei um susto. É muita sujeira na cidade. A impressão que tive é de que Natal é muito suja e desorganizada”, disse. Entretanto, “a culpa não é só do prefeito”.
Para o metalúrgico, as pessoas não deveriam ficar de braços cruzados. “Cadê a associação dos artesãos daqui? Eles ficam de braços cruzados esperando que alguém faça algo. Já que eles lucram com a orla de Ponta Negra, por exemplo, deveriam fazer a sua parte e contribuir com a limpeza da praia. Tudo bem que a prefeitura não fez sua parte, mas ‘o cara’ é dono de uma barraca  na praia e permite que o lixo fique acumulando. Isso é falta de organização e de bom senso”, disse.
Laércio ainda criticou os serviços oferecidos aos turistas em Natal, classificando-os como um dos mais caros do País. “Os preços daqui, relativos a outras cidades, estão entre um dos mais caros do Brasil. Tudo isso afasta o turista, mas parece que as pessoas não repararam ainda nisso. Não pretendo mais voltar aqui”, afirmou.


Fonte: JH Online

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